Padroeiros e Santos Amigos

São Francisco Xavier – Padroeiro do Apostolado da Oração – Santidade e Zelo

 1- NASCIMENTO: No dia 3 de dezembro de 2005 foi proclamado em Xavier (Navarra, Espanha), com a presença do nosso Diretor mundial, o ano jubilar comemorativo dos 500 anos do nascimento de Francisco Xavier. O caçula de cinco filhos nascia num lar profundamente cristão, a sete de abril de 1506. Seus pais, Dr João e D. Maria (já com 42 anos), senhores de Xavier, mal podiam pensar que, um dia, aquele filhinho seria nomeado pelos Papas Padroeiro mundial das Missões e do Apostolado da Oração.

2- COMEÇANDO SUA HISTÓRIA: Aos 19 anos Francisco despede-se de sua mãe, agora viúva, para dirigir-se a Paris, buscando subir na ciência e nas honras. Na Universidade da Sorbonne estudará Filosofia e Teologia e lecionará como Mestre durante três anos. Na volta para a sua terra teria garantido um lugar na cúpula da hierarquia navarrense.

3- CONVERSÃO: Num convento de Clarissas, a abadessa Madalena, sua irmã mais velha, orava pela conversão do jovem Xavier dos ideais mundanos de dinheiro, de poder e de glória para os ideais do seguimento de Cristo pobre e humilde. E um piedoso colega de estudos, Inácio de Loyola que o ajudava nos momentos de aperto pecuniário e arranjava bons alunos para suas classes, repetia-lhe: “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo...?” Lc 9,25.

Afinal, na luta travada no coração de Xavier vence a graça. Na manhã da festa da Assunção de 1534, na Capela de São Denis, em Montmartre, junto com Inácio e companheiros, Xavier se consagra a Deus com os votos de pobreza e castidade e o compromisso de passar à Terra Santa para pregar aos infiéis. Pouco depois fez um mês de Exercícios Espirituais sob a direção de Inácio. No final, um fogo novo ardia no seu coração: a decisão de conquistar o mundo para JESUS. Para si, pobreza e humildade. Para Deus e os homens todo seu coração e energias até a morte.

4- APOSTOLADO: Em 1536 parte de Paris com seus companheiros a pé até Veneza, porto de embarque para Jerusalém e Terra Santa. Ali é ordenado sacerdote. Com a bênção do Papa Paulo III esperam o momento oportuno para embarcar. Mas a guerra de Veneza com os turcos os impede de realizar seu sonho. Colocam-se então às ordens do Papa em Roma que, a pedidos de D. João, Rei de Portugal, envia a Francisco Xavier para evangelizar na Índia. A 15 de junho de 1540 chega a Lisboa, onde exercitará durante dez meses a língua portuguesa e os “ministérios da consolação” (confissões, direção espiritual, visitas aos enfermos).

Em maio de 1542, aos 36 anos de idade, após treze meses de viagens em frágeis navios, chega a Goa, sua base, na Índia. Logo começa a visitar e consolidar as Comunidades cristãs. Em dois anos percorreu 13 vezes os 1.100 km de viagem de ida e volta visitando as Comunidades da Costa da Pescaria. Em 1545 eram já 30.000 as novas ovelhas acrescentadas ao rebanho. Preparou catequistas, revitalizou o Seminário, abriu escolas e obras sociais. Sólida base da hoje florescente Igreja da Índia.

De 1545 a 1546, navegando milhares de km, iniciou e organizou as novas Comunidades cristãs em Malaca, no Arquipélago malaio, até a remota Papuásia, nos confins da hoje Indonésia.

De 1549 a 1552 Francisco realizou a maravilhosa obra da missão japonesa: Estudou previamente a língua, conheceu as religiões do país, traduziu para o japonês o Evangelho de Mateus e o decorou. Conseguiu criar várias comunidades cristãs que as perseguições, longe de exterminar, consolidaram, formando a brilhante Igreja do Japão.

Em 1552, a braços com grandes dificuldades, Francisco Xavier tentou abrir ao Cristianismo as portas do fechado Império Chinês. Morreu de cansaço e febre a 3 de dezembro desse ano, numa cabana de folhas de coqueiro na Ilha de Sancian, junto ao mar, de frente ao litoral do continente, esperando o barquinho que o introduziria na China..

5- MISSIONÁRIO POPULAR: Ouçamos o relato do Santo em carta da Índia (20.9.1542) a seus companheiros de Roma: “Em Goa passei a residir no Hospital. Ouço confissões dos doentes e lhes dou a Comunhão. Outros de fora vêm confessar-se. Não daria conta de ouvir a todos nem que estivesse em dez lugares ao mesmo tempo... De tarde vou à cadeia ouvir confissões dos prisioneiros, dando-lhes antes

alguma instrução sobre o modo de fazer uma confissão geral. Depois vou a uma Capela de Nossa Senhora... e ensino às crianças suas preces, o Credo, os Mandamentos. O número dos que vêm às instruções freqüentemente supera os 300. O Senhor Bispo ordenou que eu fizesse o mesmo em outros lugares, mas ainda não pude.

Tenho sido tratado com muito amor e boa vontade por todos. Nos domingos e festas prego, depois da ceia, para os cristãos da terra na Capela de Nossa Senhora, a respeito dos artigos da fé. Vem tanta gente que não há lugar para todos na capela. Após o sermão lhes falo do Pai-nosso, da Ave-maria, do Credo e dos Mandamentos. Nos domingos vou rezar a Missa fora da cidade, para os leprosos. Ouço suas confissões e lhes dou a Comunhão. Prego para eles uma vez. Eles me são muito devotados e os meus melhores amigos” (F. Moreno, Cartas e Avisos espirituais de S. Francisco Xavier, Carta de 20.09.1542, n. 12-13)

6- ALMA ORANTE E EUCARÍSTICA: De dia era todo do próximo. À noite era todo de Deus. Assim imitava a JESUS que pregando de dia “passava a noite em oração” Lc 6,12

“Aqui em casa -relata um companheiro de Goa- dormia três ou quatro horas cada noite e pela uma da madrugada ia a um pequeno coro da Igreja donde se vê o Santíssimo Sacramento. Ficava em oração até o amanhecer”.

“Na celebração da Santa Missa ficava de tal modo mergulhado e absorto em Deus que os acólitos, já impacientes, deviam puxar-lhe dos paramentos para que prosseguisse na celebração”.

“Tamanho era o ardor do amor a JESUS no coração que foi visto caminhando com os olhos fixos no céu e o rosto em chamas a exclamar ‘basta, Senhor, basta!’...” de tanta consolação.

“E não somente na vigília, mas também no sono o santo sacerdote repousa em Deus: Freqüentemente os companheiros o ouviam pronunciar, dormindo, o nome de JESUS” (Bula de Canonização)

7- RICO EM VIRTUDES: “Entre as virtudes, qual estrela matutina, resplandeceu em Xavier a caridade. Manifestava-a em todas as atividades, sobretudo quando servia aos doentes. E mais ainda aos doentes pobres. Esquecido da comida e do repouso, confortado por Deus, não se afastava da cabeceira do leito dos doentes graves. E lhes ministrava com profunda alegria os auxílios espirituais. Cuidados e atenção que prestou aos doentes toda sua vida”.

“Apesar de ser enriquecido com variados dons do Senhor não sentia vaidade. Pelo contrário, crescia na humildade. Realizava os serviços domésticos como se fosse o último servo. Usava veste pobre e áspera, até o ponto de provocar o riso das crianças. Venerava com exímio respeito não só os bispos com também os sacerdotes. Ao Pe. Inácio, seu Superior, escrevia sempre de joelhos. Detestava honras e louvores à sua pessoa. Por isto só uma vez, coagido por grave motivo, usou da dignidade de Núncio Apostólico concedida pelo Papa” (Bula de Canonização).

 

Santa Terezinha do Menino Jesus – Co-Padroeira do Apostolado da Oração

1- O AO tem um Padroeiro: o grande santo missionário Francisco Xavier, cuja festa se celebra a 3 de dezembro, dia da fundação da nossa Associação.

Tem também uma Padroeira: Santa Teresinha do Menino JESUS, Virgem e Doutora da Igreja foi nomeada “Segunda Padroeira ante Deus” dos membros do AO.

A nomeação foi comunicada pela Congregação Pontifícia para o Culto Divino ao Diretor Geral do AO que a divulgou em carta enviada de Roma a 25 de março de 2004:

2- “Santa Teresinha ingressou no AO em sua cidade, na França, quando tinha 12 anos de idade, aos 15 de outubro de 1885, como consta da ficha de admissão publicada no Mensageiro do C. de JESUS de abril de 2004.

Na casa de Teresinha rezava-se pelas intenções que eram recomendadas aos membros do AO. Uma senhora voluntária levava os Bilhetes Mensais com as Intenções aos Buissonnets, a casa paterna de Teresa. São as Intenções Gerais e Missionárias do Santo Padre que rezam milhões de membros e simpatizantes do AO em todo o mundo.

Foi no seio daquele lar cristão que a Santinha conheceu o AO e aprendeu a viver esta espiritualidade, unindo sua vida e sua oração à oração e à missão da Igreja, tal como as Intenções Gerais e Missionárias do Santo Padre nos lembram cada ano. Nas últimas notas autobiográficas (julho 1897) Teresinha escrevia: “Desejo ser filha da Igreja e orar pelas intenções do Santo Padre; este é o objetivo geral de minha vida”. Justamente, porque foi membro do AO, Santa Teresinha “é uma Santa do AO” e, por suas características espirituais e missionárias, foi proclamada Segunda Padroeira da nossa Associação.

3- A nossa Padroeira viveu intensamente a devoção ao Coração de JESUS de uma maneira nova, abrindo caminhos novos. Em carta a sua irmã Celina, Teresinha escrevia: “Não vejo o Sagrado Coração de JESUS como todo o mundo: coroado de espinhos, com uma grande cruz no centro”. Ela via o CRISTO Ressuscitado, com quem conversava “deliciosamente, de coração a coração, na esperança de contemplá-lo um dia face a face”. No seu poema “Ao Sagrado Coração de JESUS” não se detém no símbolo do coração ferido pela lança, mas vai diretamente à pessoa amorosa de JESUS, aos sentimentos profundos e ao amor que transborda do seu divino Coração.

4- Conhecer intimamente o Senhor e descobrir os sentimentos de seu Coração constitui o caminho percorrido pelo AO durante as últimas décadas, apresentando a devoção ao Coração de JESUS como uma espiritualidade enraizada na Escritura, centrada, como fazia Teresinha, na pessoa amorosa de JESUS. Esta devoção tem como objetivo assemelhar-nos mais e mais a ELE, confiados no Pai e, ao mesmo tempo, orientados como ELE ao serviço dos irmãos”.

5- Teresinha conseguiu isto na familiaridade com JESUS na Eucaristia. Ela escreve no seu Ato de Consagração falando com JESUS após lembrar as palavras ‘Tudo o que pedirdes ao meu Pai em meu nome Ele vo-lo dará’: “Eu sei, ó meu Deus, que quanto mais querei s dar, mais nos fazeis desejar. E eu sinto em meu coração desejos imensos. Com toda a confiança peço-vos, portanto, que tomeis posse de minha alma. Ah!, eu não vos posso receber na comunhão tantas vezes quantas o desejaria. Mas, Senhor, não sois todo-poderoso? Ficai em mim como no Sacrário; não vos afasteis nunca desta vossa hostiazinha...”

Que o Coração de JESUS ressuscitado nos conforte com sua consolação e que a intercessão de nossa Padroeira Santa Teresinha atraia novos membros ao AO e ao MEJ e nos estimule a continuar o caminho começado rumo à santidade na vida cotidiana.

Santo Inácio de Loyola

1 – Nascimento e vida antes da conversão

Iñigo (seu nome de batismo), de família nobre, nasceu em 1491 na casa-torre do Castelo da família Loyola na Espanha. Dentro da família havia uma tradição de soldados e guerreiros.

Até os 26 anos foi homem entregue às vaidades do mundo, participando de jogos, lutas e conquistas amorosas.

Em 1517 ingressou no Exército. Em maio de 1521 sofreu um ferimento na perna direita com uma bala de canhão que pesava aproximadamente 3 kg, enquanto lutava em Pamplona contra as tropas francesas. Lá mesmo foi cuidado por médicos franceses.

Retornou a Loyola para se recuperar depois de 15 dias. Lá sofreu nova cirurgia para reposicionar os ossos.

Em 24 de junho, seu estado de saúde era tal que chegou a receber os sacramentos. Contudo, a partir de 28 de junho, véspera do dia de S. Pedro, começou a melhorar. Passou o dia de S. Pedro e ele sentiu que Deus o queria com vida, não sabia ainda para quê.

Dispôs-se a fazer outra operação sem anestesia para melhorar sua perna e teve que ficar várias semanas de cama.

2 - Conversão

Quis ler livros de cavalaria, mas não existiam na casa e sua cunhada lhe deu dois livros – Vita Christi e a Vida dos Santos, que despertariam sua vocação para Deus. Lia os livros muitas vezes e aos poucos foi se entusiasmando e sentindo-se atraído pelos exemplos dos santos. Revê sua vida passada, percebe a necessidade de fazer penitencia e começa a encontrar sua liberdade espiritual. Sua conversão não é fulminante e sim trabalhada em horas solitárias, que resultaram na abertura de seus olhos e ouvidos espirituais.

Ainda neste período, uma certa noite teve uma visão da Virgem com o Menino, recebeu isso como uma consolação indizível que o acompanhou por toda a vida e concebeu um asco por sua vida passada.

Resolveu, com a graça de Deus, imitar os santos e ir a Jerusalém, para lá viver e morrer ignorado por todos, mas fiel a si mesmo e a este Jesus que havia descoberto.

3 - Peregrinação

Saiu de casa em traje de gala, a cavalo e foi para Arévalo.

Passou por Aránzazu e orou diante da Virgem em vigília pedindo forças. Tinha medo de si mesmo. Fez voto de castidade e para batalhar contra a carne começou a açoitar-se todas as noites.

Passou por Navarrete e seguiu sozinho em sua mula para Montserrat com destino ao Santuário de Montserrat da Catalunha, onde queria despedir-se de sua vida passada diante da Virgem e partir para sua vida futura: de penitências extremadas, grandes coisas e competição com os santos.

Foi caminhando por Logroño, Tudela, Saragoça, Lérida, Igualada. Chegando em Montserrat, confessou por 3 dias seus pecados, comprou suas novas vestes. Em 24 de março de 1522 despiu-se de suas vestes, vestiu-se de saco, deu suas roupas a um mendigo e passou a noite em vigília. Saiu dali livre de todo o passado, mas o mendigo foi preso porque acharam que havia roubado as roupas, o que causou em Inácio grande tristeza. Partiu não pelo caminho de Barcelona mas por Manresa, para manter-se um peregrino anônimo.

Em Manresa ficou quase um ano. Viveu em um hospital, pediu esmolas, não comia carne nem bebia vinho, participava da missa todos os dias, rezava o livro das Horas, visitava o hospital e levava comida para os enfermos.

Passou por várias situações que o levaram ao discernimento dos espíritos e culminaram com a primeira redação de seu livro que o deixou imortal: os Exercícios Espirituais.

Partiu para Barcelona no princípio de 1523, foi para Gaeta e de lá para Roma, onde passou a semana santa e obteve o passaporte pontifício. De Roma dirigiu-se a Veneza a pé. Na Itália, foi confundido com pessoas infectadas pela peste, porque estava muito pálido e macilento. Embarcou e chegou em Jerusalém um mês mais tarde do que o previsto.

Em Jerusalém visitou os lugares por onde Jesus passou e queria ficar lá até morrer mas precisou resignar-se a voltar.

Chegou a Veneza após viagem pelo mar de 2 meses e depois a Barcelona, resolveu voltar a estudar.

4 - Estudos

Começou a aprender latim. Morou na casa de Inês de Pascual em um quarto superior, com uma cama sem colchão dado à oração, taciturno e calado.

Muitos o estimavam e as monjas do convento de Nossa Senhora dos Anjos reformaram sua vida e fecharam a porta a visitas mundanas graças a suas visitas. Um nobre despeitado pagou para que dessem uma surra nele e acabou demorando 2 meses para se recuperar mas nunca denunciou o culpado.

O solitário peregrino resolveu reunir pessoas que se ocupassem em reformar vidas e que fossem como “trombetas de Jesus Cristo”. Uniram-se a ele 3 – Arteaga, Cáceres e Calixto que o seguiram por um tempo, mas desistiram no caminho.

Seu mestre de latim o convenceu a estudar em Alcalá e lá ficou durante um ano e meio. Neste período tentaram prendê-lo duas vezes sem sucesso porque não havia nada que depusesse contra ele. No final de sua estadia em Alcalá ficou preso 42 dias sem reagir nem pedir advogado porque julgavam que havia induzido duas mulheres a desaparecer. Quando elas voltaram e o libertaram, como ficou proibido de ensinar os exercícios espirituais foi se consultar com o arcebispo que lhe aconselhou que fosse estudar em Salamanca.

Em Salamanca foi preso em um convento mas também não acharam nada contra ele, a não ser o fato de ensinar sobre pecados mortais e veniais sem ter estudado. Certa vez, todos da prisão fugiram com exceção deles e seus companheiros, o que causou grande impacto e logo depois foram soltos com a condição de não pregarem mais até o término dos estudos. Resolveu assim ir para Paris, onde estudou Artes e reuniu amigos que tinham o mesmo propósito: ir até a Terra Santa e ficar lá para proveito das almas. Decidiu-se que ele retornaria a sua terra natal pois estava com problemas de saúde e resolveria também alguns assuntos particulares de seus companheiros. Depois ficariam um ano em Veneza até embarcarem para Jerusalém. Os amigos eram: Inácio, Xavier, Laínez, Fabro e Rodríguez, Jaio, Broet, Bobadilha e Codure.

Depois de voltar de sua terra, encontrou-se com os amigos em Veneza e os colocou para passar por dois meses de prova, vivendo em hospitais até de incuráveis fazendo serviços como varrer, limpar, fazer camas etc. Depois deste tempo foram a Roma pedir o passaporte pontifício. O papa ficou maravilhado com as intenções deles e não só aprovou mas custeou a viagem para Jerusalém.

5 - A Companhia de Jesus

Enquanto esperavam o prazo para embarcarem, foram ordenados. Além de “Amigos do Senhor” agora eram também sacerdotes, inclusive Inácio. Na época de partir, já se chamavam Companhia de Jesus, um grupo de companheiros íntimos, unidos em nome de Jesus.

Deus lhe fechou o caminho para Jerusalém. Em uma capelinha próxima de Roma – Storta, aconteceu algo profundo que só podemos imaginar por suas próprias palavras: “E estando um dia a poucas milhas antes de chegar a Roma em uma igreja, e nela fazendo oração, sentiu tal mudança em sua alma e viu tão claramente que Deus Pai o punha com Cristo seu Filho que não teria coragem de duvidar disso, senão que Deus Pai o punha com seu Filho... E ouviu que o mesmo Senhor e Redentor lhe dizia: Eu lhes serei propício em Roma.”

Ficou em Roma com os amigos e depois de passar por outra tentativa de processo celebrou sua primeira missa em Santa Maria Maior, onde as relíquias da manjedoura de Belém substituíam de algum modo a Terra Santa de seus anseios.

O grupo todo se reuniu, colocou-se a serviço do Papa e rapidamente foram divididos em missões por vários lugares. Uma grande questão teria que ser decidida: seguiria cada qual a missão encomendada sem outro vínculo com o grupo senão o do afeto, ou formariam um corpo de comunidade com sua cabeça? A decisão foi trabalhosa e democrática, acompanhada de muita oração. Durante meses de reuniões de grupo decidiram que continuariam unidos os que Deus havia unido por meio de Inácio. Teriam uma cabeça, uma escritura e um modo de vida e comprometiam-se a entrar nele se o papa o aprovasse. Inácio redigiu a Bula em cinco capítulos e depois de alguns contratempos em 1540 nasceu oficialmente a Companhia de Jesus, sem Constituições. Inácio e Coduri foram encarregados de escrevê-las.

Inácio foi eleito o cabeça do Instituto. Quase sem que percebessem, Deus os havia guiado por aquele caminho que chegava a uma meta, uma meta que era ponto de partida. A partir desse momento, Inácio e sua Companhia formam uma só coisa. O caminhante teve de deter-se em Roma até sua morte, fechado em um quartinho. Dez anos de apalpadelas, de conquista, um a um, daqueles homens sem mais força que a de sua palavra – sua palavra de leigo -, haviam conduzido àquela nova realidade de um grupo, já mais amplo, de sacerdotes unidos, aprovados pela Igreja, com um leque excessivamente amplo de atividades e uma dispersão que não deu lugar para que a nova família não se firmasse.

Houve uma época de grandes dificuldades – perseguições e problemas financeiros. O bispo chegou a publicar um decreto em que declarava a Companhia perigosa para a fé, perturbadora da paz, destruidora das ordens religiosas, nascida para destruir, mais que para construir. Inácio não perdeu a calma e não quis impugnar o documento. Limitou-se a pedir a príncipes, governadores e universidades certificados sobre a atuação dos jesuítas.

Terminou a primeira versão das Constituições em 1550. A Companhia conta hoje com aproximadamente 25 mil jesuítas, dispersos pelo mundo todo. Foi fecunda em santos. Aproximam-se dos duzentos os santos e beatos da Companhia, muitíssimos deles são mártires e embora todos jesuítas, oferecem uma grande variedade: São Francisco de Xavier, beato Fabro, São Francisco de Borja, Pedro Canísio, o cardeal Berlamino, os jovens São Luis Gonzaga, Santo Estanislau de Kostka e São João Berchmans, o apóstolo dos escravos negros São Pedro Claver, o missionário São Francisco de Régis, o grande apóstolo do Brasil José de Anchieta e outros.

Uma quinta parte de todos os jesuítas são missionários. A maior parte está na Ásia e na África. Mais da metade dos jesuítas em formação pertencem ao chamado terceiro mundo. Distribuem-se em mais de cem países. O campo do ensino foi tradicionalmente um dos preferidos dos Jesuítas. Ensinam hoje em 24 universidades eclesiásticas e 31 civis, em quase 50 centros de estudos superiores, 500 centros de ensino médio e profissionalizante e outros 500 centros diversos. Possuem 50 editoras e editam uma média anual de 5 mil títulos. Contam com cerca de 800 revistas, dirigem 35 emissoras de rádio e 7 redes de televisão.

6 – Os exercícios espirituais

Em 1548, pela Bula de Paulo III, foi aprovado o livro dos exercícios espirituais. Era o que Inácio mais queria neste mundo e é a mola de suas conquistas e de grandes conversões espirituais. De fato, passam-se quatro séculos e meio e continuam a ser dados Exercícios Espirituais Inacianos. Traduzido em inumeráveis línguas, é seu LIVRO. Pio XI qualificou-o como código sapientíssimo e universal para dirigir almas, e alguém escreveu que realizou mais conversões do que as letras que contém.

Esse diminuto livrinho foi sendo composto passo a passo. É fruto de sua experiência. Nele encontramos estilizado muito do que passou pela alma de Inácio, em seus dias de Loyola e Manresa e em outros tempos. Seu núcleo primeiro foi escrito em Manresa e o entregou para ser examinado em Salamanca e Paris. Em suas conversas com pessoas simples em Alcalá, explicava alguns de seus temas. Em Paris, deu-os um a um a seus companheiros que o queriam. Duravam um mês e eram solitários. São práticas, e teoria para uma prática, são pautas para se exercitar. Inácio quer que, como ele o fez, cada um pare para pensar, medite, peça luz a Deus e enfrente-se com as grandes questões: Deus e eu. No livro não existe retórica nem beleza literária que nos deslumbre, mas um corpo de doutrina e acima de tudo, normas e um experimentadíssimo mestre de introspecção, grande conhecedor das marés interiores do espírito, dos apelos da graça e das maneiras sutis de resistência que o homem possui.

Alguém o acusou nada menos que de matar a liberdade do homem. É justamente o contrário: um caminho para tentar despojar-nos dos condicionamentos de nossa liberdade, de pôr-nos em estado de indiferença, acima das solicitações mundanas e de nossos próprios impulsos para situar-nos diante de Deus, como razão de ser e horizonte de nossa vida, e diante dele, em estado de indiferença, de busca e de entrega generosa. O homem diante de Deus tem de escolher, determinar-se, decidir: e isto vale para os momentos graves e decisivos da vida ou para decisões de pouca importância. São método e sistema, escola de oração, fonte de liberdade convertida em paixão com destino, instrumento de conversão. À sua luz, muitos viram-se renascer, ser homens novos.

O livro foi editado sem nome de autor. Por que? Porque o importante era o conteúdo. É a grande herança de Inácio de Loyola. Pelos exercícios, ele continua hoje presente e em vigor em todos os recantos do mundo.

Os exercícios têm que ser feitos com a orientação de uma pessoa autorizada e com um acompanhante “espiritualmente” experimentado.

O primeiro passo do exercitante deve ser ter em si um grande desejo de aproveitar em tudo o que for possível, tomando como ponto de partida um oferecimento a Deus de todo o seu querer e liberdade. Neste oferecimento não há ainda nenhuma concretização específica, mas apenas uma atitude básica: que Deus disponha do mesmo conforme sua vontade.

O esquema dos exercícios é o seguinte:

Com o Principio e Fundamento, supõe-se que já surja uma primeira e firme resolução: tirar de si tudo o que for impedimento para abraçar a vontade de Deus na própria vida. É necessário consequentemente tomar consciência de toda a desordem existente e de suas trágicas consequências, para que o abandono à misericórdia e à graça de Deus torne possível uma vida nova, de acordo com a vontade de Deus. É o trabalho da Primeira Semana. Na Segunda Semana o exercitante contempla a vida de Cristo. Este tempo de discernimento culmina com o processo de Eleição e a tomada de uma decisão de vida. A Terceira Semana tem como finalidade confirmar a opção feita, confrontando a nossa pequenez com o amor sem limites que Cristo manifestou através da instituição da Eucaristia e dos sofrimentos de sua Paixão. A Quarta Semana reforça ainda mais esta opção feita, mediante a alegria, a paz e a felicidade da Ressurreição, Ascensão e Pentecostes. Os exercícios terminam com a contemplação para alcançar o Amor. Esse é o início de uma vida nova.

7 – Retrato e final da vida

Não foi um homem de livros. Acompanhou-o sempre um, a Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis. Não foi intelectual, nem sequer estudioso, não lhe agradava a controvérsia; preferia afirmar, não discutir ou combater. O forte foi a palavra nua e a ação. Com a palavra, chegava aos homens, aos problemas pessoais, às coisas concretas. Esperava mais das vivencias pessoais do que dos livros e das leituras. Falava pouco, depois de muito refletir. E quando falava não exagerava, é parcimonioso com adjetivos e superlativos, utiliza substantivos e não sabe o que é uma palavra ociosa, inútil ou vazia. Nunca desde sua conversão disse uma palavra injuriosa ou simplesmente depreciativa de ninguém. O autocontrole de sua língua é o absoluto. Pensa muito no que diz, a quem diz e quando o diz, razão pela qual suas palavras são como regras.

A palavra e a ação. E como motor desta, a vontade. É o traço mais típico de Inácio. Mais do que ser, importa estar, saber estar, mas não entende o estar como indolente abandono e sim como resposta ao que o rodeia e à vida, como agir, como vontade de ação. Ser é querer, decidir, agir.

Não é irrealista ou temerário; mas, uma vez decidido a algo, apalpa o futuro como se fosse o presente. Todavia cobra fé para a ação, para o compromisso e não para o sonho.

A luta e as tribulações o fortalecem, devolvem forças a sua saúde precária. Crê firmemente que onde surgem muitas contradições, há de se esperar grande fruto espiritual.

É um santo, um místico, um grande orante, um homem conduzido por forças que lhe são superiores, sempre atento às inspirações do Espírito que percebe em sua alma e na dos outros. Seu famoso discernimento do espírito, mais que maravilha de cálculo e ponderação, é uma fina sensibilidade para deixar-se iluminar, para detectar as incitações de Deus em si mesmo... e nos outros, porque ninguém possui o monopólio exclusivo do Espírito, que sopra onde quer e por isso exige flexibilidade incondicional. Inácio é um ouvinte da Palavra, de uma palavra interior, rubricada pela alegria e pela paz. Sua aspiração máxima é sentir internamente, o restante nos é dado por acréscimo.

Morreu em 31 de julho de 1556, de maneira comum.

8 – Outras informações

- Um gesto grandioso

Quando teve que fazer a cirurgia em Loyola porque os ossos estavam fora do lugar, não disse palavra nem mostrou outro sinal senão o de apertar fortemente os punhos.

- O que diz quando faz um balanço de seu passado

Foi homem dado às vaidades do mundo, deleitando-se principalmente no exercício das armas, com um grande e vão desejo de conquistar honras.

- Quando lia os livros dos santos

Diz que parava para pensar. Em seus pensamentos estava sempre propenso a coisas grandes: Se eu fizesse como São Francisco e Domingos de Gusmão. Oscilava entre dois tipos de pensamentos: um na dama de seus pensamentos, imaginando o que diria e seus feitos famosos, sonhando com coisas impossíveis; outro desejando e propondo ir a Jerusalém descalço e comendo ervas como penitente. O primeiro o deixava árido e descontente e o segundo o deixava contente e alegre.

- Primeiras lágrimas

Quando prendem o pobre porque acharam que havia roubada as suas roupas.

- Visões, tentações e consolações em Manresa

Teve algumas visões sobrenaturais de uma serpente e pontos brilhantes, que mais tarde percebeu que tratava-se do demônio e um pensamento que lhe causava grande desânimo: como poderás tu sofrer esta vida pelos setenta anos que hás de viver? Respondeu à tentação com grande firmeza e ela se dissipou.

Sofreu de escrúpulos, se confessava e continuava com a sensação de que não tinha sido perdoado por seus pecados. Conheceu a aridez da alma, a perda do gosto pela oração, mas manteve-se fiel. Chegou a sentir a tentação do suicídio. Decidiu fazer jejum e ficou vários dias sem comer. Seu confessor o mandou parar o jejum e ele ficou consolado durante alguns dias mas depois do 3º. voltou a sentir escrúpulos. Percebeu que tratava-se do mau espírito e decidiu não se confessar mais – sentiu a misericórdia de Nosso Senhor.

Começou a ter muitas consolações que acabavam fazendo com que ficasse acordado até tarde. Percebeu que isso era uma tentação e se determinou a dormir o tempo destinado para isso. Assim executou.

Tinha muita devoção a Nossa Senhora e um dia teve o entendimento da Santíssima Trindade em figura de 3 teclas, percebendo isso no meio de lágrimas.

Teve o entendimento da criação, como uma coisa branca da qual saíam alguns raios e dela fazia Deus luz.

Um dia na igreja viu com os olhos interiores uns raios brancos que vinham de cima – e compreendeu como Jesus estava no Santíssimo Sacramento.

Viu por várias vezes também com os olhos interiores a humanidade de Cristo e sua figura, que lhe parecia como um corpo branco, não muito grande, não muito pequeno, mas não enxergava nenhuma distinção de membros. A Nossa Senhora também viu de forma semelhante e estas visões o confirmaram e lhe deram muita segurança de sua fé. Pensava consigo: Se não houvesse Escritura que nos ensinasse estas verdades da fé, ele se determinaria a morrer por elas, só pelo que vira.

No rio Cardoner quando ia a uma Igreja, sentou-se olhando o rio e compreendeu o mistério de Deus e da Trindade, a Criação, a Eucaristia, a presença divino-humana de Cristo. Foi como se Deus inundasse a alma. Foi a transformação da criança espiritual em um adulto.

Depois da experiência do Rio Cardoner, ficou diante de uma cruz, viu novamente a serpente e finalmente percebeu que era o demônio e passou a expulsa-la sempre que aparecia.

Ainda em Manresa teve uma febre muito alta e pensamentos de que era justo. Mas isso o incomodava tanto que aliviado da febre pediu a umas senhoras que o visitavam para gritar para ele “Pecador! Lembra-te das ofensas que cometestes contra Deus!” para que ele parasse de se julgar justo.

- Tentação quando estudava

Quando estudava gramática vinham-lhe entendimentos sobre assuntos espirituais. Pouco a pouco percebeu ser isso tentação.

- O que falava dele um de seus súditos e admiradores

O amor de nosso Pai não era fraco nem indolente, mas vivo e eficaz, suave e forte, terno como amor de mãe e sólido e robusto como amor de pai.

- Trecho das Constituições que fala do propósito geral daquele que ingressa na Cia. De Jesus

Deve ser muito unido com Deus nosso Senhor e familiar na oração e todas as suas operações, assim será fonte de todo bem para todo o conjunto da Companhia. Seu exemplo em todas as virtudes ajudará a quantos o rodeiam; deve resplandecer no grande amor aos outros, especialmente aos da Companhia, em humildade verdadeira que o faça amável aos olhos de Deus e dos homens. Homem livre de paixões, ou melhor, dono delas, de juízo sereno, comedido em seu exterior, composto no falar, espelho e modelo para todos. Há de saber mesclar retidão e severidade, inflexível no que julgue agradar a Deus e ao mesmo tempo compassivo com seus filhos, de maneira que até os repreendidos e castigados reconheçam que procede retamente no Senhor. São-lhe necessárias magnanimidade e fortaleza para sofrer as fraquezas do mundo, para realizar coisas grandes, para perseverar e vencer contradições, não se orgulhar com os êxitos nem abater-se com os fracassos. Seria desejável que fosse homem de grande doutrina, mas são ainda mais necessários a prudência, a maturidade de espírito, o discernimento, o conselho, a discrição no modo de tratar coisas tão variadas e pessoas muito diversas, dentro e fora da Companhia. Há de ser vigilante e cuidadoso para começar, decidido para levar as coisas a seu termo, sem deixá-las pela metade ou imperfeitas... Finalmente, deve ser dos mais assinalados em toda virtude e de mais mérito na Companhia e mais amplamente conhecido por tal. E se algum dos requisitos acima citados faltasse, ao menos não lhe falte muita bondade e amor ‘a Companhia, e bom juízo acompanhado de boas letras.

- Um trecho que explica a liberdade dos santos – de Lavelle

“Não deixamos de estar divididos entre o interior e o exterior, entre a verdade e a opinião, entre o que quiséramos e o que podemos”. Próprio do santo é haver realizado a unidade de si mesmo, porém imaginamos que vive em um perpétuo sacrifício, pois é o exterior o que retém nossa atenção e pensamos que o exterior deve separar-nos dele. É a opinião o que temos, pensando que ridiculariza a verdade. É nossa fraqueza o que invocamos, julgando que torna inacessíveis nossos votos mais essenciais. O santo não conhece este temor e esta turbação de espírito. Visto comprometer-se sempre por inteiro, jamais calcula sua perda e seu ganho. E assim nunca tem a impressão de sacrificar nada. Como poderia fazer o sacrifício exterior, que não é para ele outra coisa senão o interior de uma presença que o realiza?

- O que falava e pensava

Na casa de Inês de Pascual

“Meu Deus, se os homens te conhecessem!”

Sobre a prisão em Salamanca

“Nisto mostra a Sra. não desejar estar presa por amor de Deus. Então tanto mal lhes parece que é a prisão? Pois eu lhes digo: não há tantos grilhões e cadeias em Salamanca que eu não deseje mais por amor de Deus”

Ao irmão Coster na Companhia

Ria, filho, e esteja alegre no Senhor, já que um religioso não tem razão alguma para estar triste e tem mil para alegrar-se.

Outras frases e o que pensava

Amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com toda a vontade.

Aquele que não era bom para o mundo, tampouco o era para a Companhia.

Confiar em Deus, como se tudo dependesse dele. Trabalhar e servir-se dos recursos humanos, como se tudo dependesse de nós.

Era contemplativo na ação.

Em tudo amar e servir a Deus.

Não é o muito saber que sacia a alma, mas o saborear.

Oração

Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, minha memória, minha inteligência e toda a minha vontade, tudo o que tenho e possuo. De vós, recebi; a vós, Senhor o restituo. Tudo é vosso; disponde de tudo inteiramente, segundo a vossa vontade. Dai-me o vosso amor e graça, que esta me basta.

- Bibliografia
Site http://www.jesuitas.com.br/histor.htm
Site http://www.sca.org.br/biografias
Inácio de Loyola – a aventura de um cristão, José Ignacio Tellechea Idígoras, Edições Loyola
Autobiografia de Inácio de Loyola, Edições Loyola

Santa Margarida Maria Alacoque – amiga e mensageira de Jesus

1. O BERÇO: Margarida (Maria foi acrescentado na Crisma) nasceu no dia de Santa Madalena, 22 de julho de 1647, em Verosvres, França, entre prados e colinas. Alí viverá até os 24 anos, pura de coração, impregnada de paz e de amor. Foi a 5ª de sete filhos (só três sobreviveram) do tabelião real Cláudio de Alacoque e Filiberta.

2. JESUS A ATRAI E ESCOLHE: Ela conta na Autobiografia (nº 2) que aos 5 ou 6 anos –certamente movida pelo Espírito de Deus- entre as duas elevações do Corpo e do Sangue de JESUS na Missa disse: “Meu Deus, eu vos consagro a minha pureza e vos faço voto de perpétua castidade”. Voto que teve sempre diante dos olhos, particularmente perante as solicitações de muitos e bons pretendentes. (Autobiografia 16)

3. PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA: Durante quatro anos, menina doente e sem poder andar, “não podendo achar outro remédio senão consagrar-me à Santíssima Virgem, prometi-lhe que, se me curasse, haveria de ser um dia uma de suas filhas... Fiquei logo curada, e a SS. Virgem tomou posse do meu coração de modo que, olhando-me como filha, governava-me como coisa que lhe fora consagrada, repreendia-me das faltas e ensinava-me a cumprir a vontade de Deus” (6). “Ela foi sempre para mim uma boa Mãe e nunca me recusou seu socorro” (22: os números remetem à Autobiografia).

4. ATRAÇÃO DO MUNDO E DE JESUS: “Logo que comecei a respirar saúde (tinha 13 anos de idade), dei-me à vaidade e à afeição das criaturas, persuadindo-me de que o carinho com que minha mãe e meus irmãos me tratavam dava-me liberdade para me entregar a meus pequenos divertimentos e para folgar o que quisesse. Mas vós, ó meu Deus, me fizestes ver muito bem que andava extraviada, pois seguia minha inclinação natural, amiga do prazer, não segundo os vossos desígnios, que estavam muito longe dos meus...(7) Uma vez, em tempo de carnaval, estando com outras jovens, mascarei-me por vã complacência. Isto foi para mim, durante toda a vida, objeto de dor e de lágrimas...(14) Movida pelos estímulos de minha mãe [ela queria que eu casasse pois tinha muitos e bons partidos], conforme ia crescendo comecei a olhar para o mundo e a adornar-me para lhe agradar, procurando divertir-me quanto podia... Por outro lado Deus atraia vivamente o meu coração e não me dava trégua... Dentro de mim travou-se uma longa e espantosa luta” (16-17).

5. SOFRER COM CRISTO SOFREDOR E CONFORMAR-SE A ELE: “Minha mãe, viúva com 4 filhos pequenos, tinha-se despojado da própria autoridade na sua casa, concedendo a administração da casa e das propriedades comuns a parentes... os quais tinham tudo fechado a chave, de modo que muitas vezes nem sequer encontrava com que me vestir para ir a Missa, senão pedindo roupa emprestada... Então pus todas as minhas aspirações em buscar todo meu prazer e consolação no Santíssimo Sacramento do altar...(8) Nas doenças de minha mãe, às vezes tive que pedir de esmola aos aldeões até os ovos e outras coisas necessárias aos doentes...(11) Ao voltar a casa, logo recomeçava a bateria de acusações e cobranças por parte deles. Não me era permitida uma palavra de desculpa. Punha-me a trabalhar com as criadas... Em algum cantinho do quintal ou em outro lugar escondido ficava de joelhos para desabafar o coração em lágrimas diante de Deus, pela intercessão da Virgem Santíssima, minha boa Mãe. E passava as noites como tinham passado os dias: banhada em lágrimas diante da imagem de JESUS crucificado... que me fez ver que queria tornar-se senhor absoluto do meu coração e conformar-me à sua vida de sofrimento...(8) A visão do Crucifixo ou do Ecce Homo imprimia em mim tanta compaixão... que todas as minhas penas se me faziam leves pelo desejo de me conformar a meu JESUS padecente...”(9). Estes sentimentos de quando jovem, na sua casa, a acompanharão sempre. Dos últimos tempos da vida religiosa escreve: “Toda a minha delícia era ver-me semelhante a meu JESUS padecente...”(106) .

6. AMAR E SERVIR AOS QUE A FEREM: “Sentia-me impelida a prestar toda sorte de serviços e obséquios àqueles que me machucavam. De bom grado me sacrificaria por eles. Não havia para mim maior gosto do que fazer-lhes e dizer deles o maior bem que podia... Isto era obra de Deus que tinha se apoderado da minha vontade” (9).

7. AMOR AOS POBRES E ENFERMOS: “O Senhor deu-me um amor tão terno aos pobres que não queria falar de mais ninguém. E imprimia em mim tanta compaixão pelas misérias deles, que se dependesse de mim, ter-lhes-ia dado quanto possuia”(20)

8. CHAMADO DE JESUS: “Uma vez (pelos 21 anos de idade), depois da comunhão, Nosso Senhor fez-me ver como Ele era formoso, o mais rico, o mais poderoso e sublime de todos os esposos... ‘Se me fores fiel, te ensinarei a conhecer-me e me manifestarei a ti’ me disse... Minha alma encheu-se de uma paz tão grande e de uma bonança tão doce que desde então decidi antes morrer do que mudar minha opção pela consagração a Deus na vida religiosa...(24)

‘É aqui que Deus me quer’ exclamava cheia de alegria o dia do meu ingresso no Convento de Santa Maria em Paray-le-Monial...(20.06.1671, com 24 anos). Depois de ter esvaziado meu coração e despojado minha alma, o Senhor acendeu nela tão ardente desejo de amar... que eu só pensava em como poderia amá-lo sacrificando-me” (35,37). JESUS me visitava com “os mimos de seu amor... e consolação da alma de tal modo que me deixavam muitas vezes fora de mim... Repreendiam-me então as irmãs dizendo que esse não era o espírito da Congregação... e me mandavam trabalhar durante o tempo de oração... Eu assim o fazia à risca, sem contudo distrair-me da doce alegria e consolação da minha alma... Depois ia cantando os versos: Quanto mais contrariarem meu Amor... E quanto mais eu padecer de dor, Mais ao seu Coração me estreitará” (39, é a primeira menção do Coração de JESUS que a Santa faz na Autobiografia).

9. O SENHOR MANIFESTA-LHE, PELA PRIMEIRA VEZ, SEU CORAÇÃO E A MISSÃO DELA:

“Certa vez (no dia 27.12.1673, -Margarida tem 26 anos de idade e dois de vida religiosa-), estava diante do Santíssimo... e entreguei-me ao divino Espírito, pondo o meu coração à mercê da força de seu amor. O Senhor fez-me repousar, por longo tempo, em seu divino peito. Ali me revelou as maravilhas de seu amor e os segredos insondáveis de seu Sagrado Coração... Ele me disse: ‘O meu divino Coração está abrasado de amor para com os homens, e em particular para contigo. Não podendo conter mais em si as chamas de sua ardente caridade, precisa derramá-las por teu meio e manifestar-se a eles... Eu te escolhi para a realização deste grande desígnio... Depois pediu meu coração e o colocou no seu Coração adorável..., tirou-o dali como chama viva e o recolocou no meu peito dizendo-me: eis aqui um precioso penhor do meu amor...”(53)

10. A MISSÃO CONFIRMADA: “Dois anos depois (1675), estando diante do Santíssimo Sacramento na oitava do Corpo de Deus, recebi graças muito grandes de Deus e senti desejos de corresponder-lhe e pagar-lhe amor com amor. Ele disse-me: ‘Eis o Coração que tanto amou os homens que nada poupou até se exaurir e consumir para testemunhar-lhes seu amor..., peço-te que seja instituída uma festa especial para honrar meu Coração’... Eu não sabia como levar a cabo o que Ele pedia. Então disse-me que me dirigisse ao seu servo Pe Cláudio de la Colombière...” (92-93). Eis a origem da festa do Coração de JESUS.

11. MISSÃO CUMPRIDA: Em retiro, a 23 de julho de 1690, quando completa 43 anos, muito debilitada, pressentindo a morte, escreve: “É preciso que tenha minhas contas sempre prontas”. Na tarde de 17 de outubro, no leito, diz à sua Superiora: “Minha Madre, agora só preciso de Deus e de abismar-me no Coração de Jesus Cristo”. Horas depois recebe a Unção dos Enfermos, exala o último suspiro e vai receber “a coroa da justiça que o Senhor tem reservada para os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa” 2 Tim 4,8.

Somente no Coração de Cristo que o mistério do nosso coração se revela plenamente. Que Santa Margarida Maria nos ajude a contemplar, amar e imitar o Coração de Cristo.

Rio de Janeiro, 13 de julho de 2006. Pe Javier P. Enciso, Diretor Arquid. do AO

São Luís Gonzaga

Modelo de pureza, coerência e desapego

Patrono da juventude, São Luís Gonzaga aliou a nobreza de sangue à santidade. Comemora-se sua festa no dia 21de junho. Fez voto de virgindade aos nove anos e morreu como religioso da Companhia de Jesus aos 23, vitimado por sua assinalada caridade para com os empestados de Roma.

A marquesa de Castiglioni, Laura de Gonzaga, estava em trabalhos de parto, com grande perigo de vida para si e para a criança que ia nascer. Todos já desesperavam de vê-la a salvo, quando ela resolveu fazer uma promessa a Nossa Senhora de Loreto, de consagrar-Lhe esse primeiro filho de suas entranhas e de levá-lo em peregrinação ao seu santuário, tão logo ambos se recuperassem. Imediatamente deu à luz o primogênito de seus oito filhos, a quem pôs o nome de Luís.

Esse feliz acontecimento foi providencialmente comemorado em Castiglione com o júbilo de um nascimento real. E muito a propósito, pois o recém-nascido haveria de ser a maior glória da dinastia dos Gonzaga, uma das mais ilustres de toda a Itália. Com domínios de Mântua a Bréscia, e de Ferrara à fronteira da Lombardia, ao longo dos anos a dinastia acumulara riquezas, altos cargos eclesiásticos e principados em sua aristocrática linhagem.

Dona Laura era casada com um dos mais salientes membros dessa estirpe, Fernando, Marquês de Castiglione e Príncipe do Sacro Império. Conhecera-o na corte da Espanha, onde era dama da Rainha Isabel de França. Esta, secundada por seu esposo, o grande Felipe II, estimando a virtude e as qualidades morais de Dona Laura, a escolhera para sua dama.

Se o Marquês tinha no sangue o espírito combativo e militar de seus ancestrais, a Marquesa compensava a belicosidade do marido com uma profunda piedade. E Luís recebeu a influência dos dois.

Desde muito pequeno, gostava de ouvir, falar e pensar em Deus. Teve assim, quase desde o berço, um dom muito elevado de oração, sendo Deus seu único mestre.

“Conversão” aos sete anos...

Unido a essa feliz propensão de seu caráter e à sua piedade precoce, podia-se perceber nele o borbulhar belicoso do sangue ancestral. Assim é que o Marquês deu-lhe uma pequena armadura, elmo, espadinha e um pequeno arcabuz de verdade. E o levou ao acampamento de Casal-Major, onde deveria passar em revista as tropas que levava consigo para a guerra do rei espanhol contra Túnis.

Um dia Luís, disparando seu arcabuz, chamuscou o rosto. O pai então proibiu-o de utilizar pólvora. Mas ele, travesso e valente, noutro dia, na hora do repouso após o almoço, conseguiu escapar à vigilância de seu tutor, aproximar-se de um canhão e acender-lhe o pavio. O acampamento todo foi despertado com o estrondo, e encontraram o pequeno príncipe estirado ao solo, vítima do coice que recebeu da possante arma.

Luís gostava de estar junto aos tércios espanhóis — as mais famosas tropas de infantaria então existentes — imitando seu passo marcial. Mas muitas vezes repetia seu jargão e as palavras às vezes inconvenientes de alguns deles. Seu tutor chamou-lhe a atenção, dizendo-lhe que aquela não era a linguagem de lábios limpos. Embora o menino de cinco anos não entendesse seu sentido, chorou amargamente essa involuntária falta, que acusará sempre como uma das mais graves de sua vida. E disse que a partir desse episódio teve início sua “conversão”!

Objetivo: alcançar vida de perfeição

Desde então, essa criança começou um processo de sério afervoramento espiritual. Segundo o parecer de outro Santo, São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja e futuro confessor do primogênito do Marquês de Castiglione, “na idade de sete anos é que Luís começou a conhecer mais a Deus, desprezar o mundo e empreender uma vida de perfeição. Ele mesmo com freqüência me repetia que o sétimo ano de sua idade marcava a data da sua conversão”.

Aos oito anos o pai levou-o com seu irmão Rodolfo para viverem na corte do Grão-duque da Toscana, Francisco de Médicis. Já não se estava mais na austeridade vivida pelos príncipes medievais, pois a decadência renascentista invadia tudo. Em meio aos divertimentos mundanos e às solicitações dessa brilhante corte renascentista, Luís buscava auxílio nAquela a quem fora consagrado ao nascer. Aumentou então seus atos de devoção à Santíssima Virgem, de tal modo que fez, aos nove anos de idade, voto de castidade perpétua.

Quando tinha 10 anos, numa ausência do pai, recebeu certo dia em Castiglione o Cardeal-Arcebispo de Milão, São Carlos Borromeu. Este ficou encantado com sua pureza e santidade, tendo declarado “que jamais encontrara jovem que em tal idade atingisse tão elevada perfeição”. Ele mesmo administrou-lhe a Primeira Comunhão, aconselhando-o a praticar a comunhão freqüente e a leitura do Catecismo Romano.

Sua infância transcorreu de castelo em castelo, de corte em corte, de festa em festa, mantendo, contudo, sempre o coração ancorado em Deus. Provou, assim, que era perfeitamente possível cultivar a santidade em meio aos esplendores da nobreza. Com efeito, aos 12 anos já atingira alta contemplação. Para isso lhe fora de muita ajuda um livro de São Pedro Canísio, apóstolo da Alemanha. A meditação contínua tornou-se para ele quase uma segunda natureza.

Um de seus criados poderá afirmar: “Todos seus pensamentos estavam fixos em Deus. Fugia dos jogos, dos espetáculos e das festas. Se dizíamos alguma palavra menos decente, chamava-nos e repreendia-nos com toda doçura e gentileza”. Luís afirmaria mais tarde: “Deus me deu a graça de não pensar senão no que quero”. E por isso tinha um domínio total de si mesmo.

Vivendo em plena época do Renascimento, estudou as línguas clássicas, chegando a escrever elegantemente em latim. Foi nessa língua que fez um discurso de saudação ao monarca espanhol Felipe II quando suas armas foram vitoriosas em Portugal. Espírito alerta, perspicaz e sério, triunfou facilmente nos estudos. Ele aliava magnificamente a nobreza e cultura à inteligência e santidade.

Para o cumprimento da vocação, vitória sobre sérios obstáculos

Em 1581 Luís foi levado pelo pai para a Espanha, para ser pajem dos infantes naquele país. Mas Deus tinha sobre ele outros desígnios. Na corte de um dos mais poderosos soberanos da Terra, afirma-se no coração de Luís o desejo de apartar-se do mundo e dedicar-se totalmente a Deus. Tendo cumprido já os 16 anos, decidiu falar sobre isso com seu pai. O marquês, que encantado com as qualidades do filho augurava-lhe um brilhante porvir no mundo, respondeu-lhe com um rotundo não.

Para dissuadi-lo disso, enviou-o de volta à Itália, com missão junto a vários príncipes. Esperava que, em meio àquela vida brilhante da Itália renascentista, arrefecesse no filho o desejo de fazer-se religioso. Luís desincumbiu-se com tanto êxito das várias tarefas, que o pai mais se firmou no desejo de tê-lo como seu sucessor.

Mas, à força de muitas súplicas, o marquês cedeu. E Luís — tendo também, como príncipe do Sacro-Império, obtido a permissão do Imperador — pôde abdicar de todos seus direitos dinásticos em favor de seu irmão Rodolfo, e assim entrar no noviciado da Companhia de Jesus em Roma, aos 19 anos incompletos.

Alto grau de santidade em plena juventude

Dentro do noviciado jesuíta, Luís continuou a ser motivo de edificação para todos, como sucedera quando estava no século. Seus superiores não tiveram senão que moderar o seu fervor e pôr limites às suas grandes penitências. Para ele, era uma alegria sair pelas ruas de Roma, com um saco às costas, pedindo esmolas para o convento. Era também enviado a ajudar na cozinha e na limpeza da casa. A alguém que lhe perguntou se não sentia repugnância em fazer atos tão humildes, respondeu que não, pois tinha diante dos olhos a Jesus Cristo humilhado pelos pecados dos homens, e a recompensa eterna que Ele dá àqueles que se rebaixam por amor a Deus.

Visitava os doentes e os encarcerados. Mesmo nessas ocasiões, mantinha seu recolhimento em Deus e cumpria seus atos de devoção. Dizia que “aquele que não é homem de oração não chegará jamais a um alto grau de santidade nem triunfará jamais sobre si mesmo; e que toda a tibieza e falta de mortificação que se via em almas religiosas não procediam senão da negligência na meditação, que é o meio mais curto e eficaz para se adquirir as virtudes”. A tal ponto se tornara senhor de sua imaginação, que no espaço de seis meses, segundo ele mesmo reconheceu, suas distrações não haviam durado o tempo de uma Ave-Maria.

Uma de suas devoções especiais era a Paixão de Nosso Senhor, a qual tornou-se objeto contínuo de suas meditações. Sua devoção à Santíssima Virgem era terna e filial. Tinha também especial devoção aos Santos Anjos, especialmente a seu Anjo da Guarda, e escreveu mesmo um pequeno estudo sobre eles. Também o Santíssimo Sacramento era objeto de suas afeições. Passava horas diante do tabernáculo, entretendo-se com o Deus escondido sob as aparências eucarísticas.

Caso seus superiores não o tivessem moderado, as penitências físicas que praticava teriam abreviado seus dias. Alguns diziam que ele lamentaria, na hora da morte, esse excesso. Bem pelo contrário: nesse momento ele fez questão de dizer a seus irmãos, reunidos em torno de seu leito, que se ele tinha alguma coisa a lamentar nesse sentido eram as penitências que ele não havia feito, e não as que fizera.

Seu pai, que levara uma vida muito voltada às coisas do mundo, preparou-se tão bem para a morte, que atribuiu esses sentimentos às orações do filho.

Na morte, caridade heróica

Pouco depois do falecimento de seu progenitor, Luís teve que ir a Castiglione resolver uma áspera disputa entre seu irmão Rodolfo e seu tio, a propósito de terras. Sua mãe, que o venerava muito, e com sentimentos de verdadeira nobreza, recebeu-o de joelhos.

Quando estava hospedado no colégio da Companhia, em Milão, teve a revelação de que em breve morreria. Exultante, voltou para Roma e empregou seus últimos dias cuidando dos empestados numa terrível epidemia que devastava a Cidade Eterna. Com isso, ganhou mais méritos. Vítima do contágio, faleceu santamente aos 23 anos, quando estudava teologia em Roma, a 21 de junho de 1591.

Que São Luís Gonzaga interceda por nós, em meio ao neo paganismo, às drogas e à decadência moral de hoje em dia, e nos obtenha do Criador pelo menos uma parcela de seu abrasado amor de Deus, afeição à Eucaristia e zelo apostólico, bem como de sua pureza angélica.

Pe. Nilson sj